Izabella Pavesi

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SANTA PAULINA


       AMÁBILE LÚCIA VISINTEINER, nasceu em Vigolo Vattaro, na província do Trentino Alto Ádige, norte da Itália, em 16 de dezembro de 1865, segunda filha de Antonio Napoleone Visinteiner e Anna Domenica Pianezzer, entre 14 irmãos.
       Devido à crise econômica no Trentino em outubro de 1875, a família emigrou para o Brasil, saindo da França no navio San Martin, e estabelecendo-se em Vigolo, no Distrito de Nova Trento (SC). Dois anos após a chegada ao Brasil a mãe faleceu e ela passou a cuidar dos irmãos até o pai casar-se novamente.
       A religiosidade era bastante acentuada entre os imigrantes que povoaram o Estado de Santa Catarina no final do século XIX. Jesuítas, franciscanos e capuccinos solicitaram em algumas localidades a construção de igrejas católicas. Nova Trento em 1878 dispunha de 12 capelas, segundo pesquisas de Renzo Maria Grosselli, que escreveu: “De uma a outra extremidade de seus vales, mesmo os mais distantes, sobrevoa um espírito de religião e de devoção sincera”. Nessa animosidade as vocações católicas se manifestaram de forma muito intensa, pois o orgulho das famílias era ter entre eles um padre ou uma freira.
       Em 12 de julho de 1890, Amábile e sua amiga Virginia Rosa Nicolodi acolhem uma doente de câncer numa casa doada por um imigrante italiano nesse localidade (Vigolo, Nova Trento), fato que marca o início da vida religiosa. Amábile faz os votos religiosos e implanta um convento a “Casa das Irmãs da Imaculada Conceição”. Ela passa a ser conhecida como “Irmã Paulina do Coração Agonizante de N. S. Jesus Cristo”, Diretora do convento. Juntou-se a elas Teresa Anna Maule, e estas três jovens tornam-se as responsáveis pela Congregação.
       Em 1894, esse trio de freiras transfere-se para o centro de Nova Trento, após receber muitas doações da comunidade cristã, incluindo terreno e casa de madeira para abrigo dos doentes. A princípio, 14 irmãs, incluindo Joanna e Leonides Colombi, habitavam e trabalhavam em prol da comunidade neotrentina. Na ausência de hospitais e médicos para toda a grande população de imigrantes, elas foram crescendo em número e dedicação, fazendo a diferença em meio à floresta tropical.
       Em 02 de fevereiro de 1903, Irmã Paulina é eleita Madre Superiora. Ela é transferida para São Paulo, para cuidar de doentes, na maioria ex-escravos, idosos e crianças. Na capital e no interior paulista segue sua missão de amor aos humildes e infortunados. A Madre acompanha a Congregação que cresce em Santa Catarina e em São Paulo, e as abençoa.
       Madre Paulina morre aos 76 anos, em 09 de julho de 1942, na Casa Geral das Irmãs em São Paulo, famosa pela sua vocação e santidade.
       Em 18 de outubro de 1991, Madre Paulina foi beatificada pelo Papa João Paulo II, quando esteve em Florianópolis, na ocasião de sua segunda visita ao Brasil. Em 19 de maio de 2002, Madre Paulina é canonizada na Praça São Pedro, Vaticano, e passa a ser chamada de Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus.
       A partir de então, inúmeras pessoas cristãs, povos de todas as origens, têm seguido em peregrinação ao seu Santuário Madre Paulina de Nova Trento, construído em louvor de sua grandeza. É considerada a primeira Santa brasileira.

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                                                                      Izabella Pavesi
                                                                                imagem: internet


P.S. Texto publicado no Livro "Mulheres Extraordinárias", organizado por Dyandreia Valverde Portugal, e publicado pela AJEB-RJ, em 12.12.2019.
 
Izabella Pavesi
Enviado por Izabella Pavesi em 16/12/2019
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